segunda-feira, 3 de novembro de 2014

O Problemão - amamentar DÓI!

Esse é o número 4 da nossa lista de problemas dos primeiros dias. Como é uma declaração de muito impacto, e como, provavelmente, ninguém nunca tinha dito isso com todas as letras a você, o assunto vai ganhar um post todinho para ele. Acredito que o máximo que já tenha ouvido é algo como “Ah, nem se preocupe, amamentar é um pouco desconfortável no começo, mas passa logo!”. Então, honestamente: não é deste jeito que funciona. Não é “um pouco desconfortável”. É bem dolorido. E não “passa logo”. Duas ou três semanas não é tão “logo” assim.

Voltemos à parte básica e óbvia dos dois principiantes tentando fazer algo que nunca fizeram antes. Seu bebê só chupou o dedo até nascer, e olhe lá. Você, se foi orientada por seu obstetra, usou cremes e massagens para preparar o mamilo para a amamentação. Se você não foi orientada a fazer isso, não se preocupe... porque, na verdade, ajuda, mas não tanto assim.
Uma vez que é em você que vai doer, vamos falar de você primeiro. Já levou uma “mordidinha de amor” um pouco mais forte no mamilo? Doeu? Pois é. Seu lindo bebê rechonchudo vai fazer muito mais estrago do que isso!
A força com que o bebê suga é espantosa. Se quer testar, coloque seu dedo na boquinha dele quando ele estiver com fome. Vai se admirar! Ele suga como se sua vida dependesse disso – e depende. Portanto, Mamãe Natureza o equipou com uma sucção MUITO forte. Do outro lado dessa sucção MUITO forte, está o seu mamilo de pele fina e delicada, que nunca teve que enfrentar nada parecido. Quer saber como um pediatra sabe se o bebê está mamando mesmo? A mãe faz “AI!” e, muitas vezes, fica com os olhos cheios de lágrimas. Não doeu? Então ele não está mamando. Está cheirando, lambendo, fazendo um social com o mamilo. Quando o bebê pega o seio de verdade e suga, DÓI. E bastante, nos primeiros dias! Por que estou avisando assim, cheio de maiúsculas? É para assustar você? NÃO! É para você saber que é NORMAL! Seu mamilo precisa literalmente “criar calo”, ou seja, engrossar a pele para deixar de ser tão sensível, e isso acontece depois daquelas duas a três semanas das quais já falei.
O que acontece até lá? Bem, resumindo, o mesmo que acontece com seu pé quando coloca um sapato novo que aperta onde nenhum sapato apertou antes. Dói, porque está apertando. Aparecem bolhas. As bolhas estouram. Aparecem rachaduras. Nada tem tempo de cicatrizar, porque o sapato (no caso, o bebê) está sempre voltando ali. Quanto vai doer? Depende de você. Se você se focar na dor e no fato de estar sendo machucada (sim, a palavra exata é essa: você vai estar sendo machucada), daí vai doer muito. Se você se focar no fato de que o bebê precisa disso, que vai passar, e que, acima de tudo, isso estava nas letrinhas miúdas do contrato MAMÃE E BEBÊ, vai doer muito menos, eu asseguro. Não leu as letrinhas miúdas? Ah, pois é... Mas era só ter pensado um pouquinho para saber que isso ia acontecer, não é? Não é nada tão inesperado assim.
Aliás, tem mais algumas coisas que acontecem nessas primeiras semanas. Temos a já comentada crise do “oooooohhhhhh, não tenho leite, por isso ele chora / não para de mamar / não dorme! ”. O coitado do leite (ou sua falta) leva a culpa por tudo o que acontecer com o bebê nos primeiros tempos. Como tudo tem verso e reverso, também temos o oposto da situação. Depois de vários dias se desesperando porque parece que o seio nunca está cheio, de repente o seio ENCHE. Fica duro, dolorido, quente – empedrado. E aquela pequena criaturinha, que antes estava sempre com fome e querendo mais, agora dorme como um anjo, em vez de vir mamar de uma vez para livrar sua mamãe desse desconforto!
É, mamãe, as duas primeiras semanas não são fáceis, eu já disse... Mas passam muito rápido. Quando você menos esperar, o seio já não está mais doendo quando o bebê começa a mamar, o leite vem na quantidade certa, sem faltar nem empedrar, e tudo isso acontece em mágicos e escassos 14 dias! Pense bem. É realmente pouco tempo para tanta coisa se ajustar!
Se tem maneiras de passar melhor por esses dias iniciais? Claro que tem! Vamos falar deles na quinzena que vem. Até lá!

Eleonor Hertzog é mãe da Anelise, do Augusto e do Alexandre e é vovó coruja do Arthur. Pediatra, já atuou em uma Unidade Neonatal e em Unidades de Saúde. Atualmente atende em consultório e nas horas vagas é escritora

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