terça-feira, 16 de setembro de 2014

O lado B da maternidade

Se você acha que a maternidade será como nos comerciais de margarina, sinto informar que não. Existe um lado B que nem todo mundo sabe, ou sabe e tenta esconder.
Ser mãe é ter que aturar/suportar/relevar muita coisa, muita critica, muita opinião. É viver um sentimento de culpa constante por não saber se está fazendo tudo certo, por achar que sempre poderia estar fazendo mais e melhor. É chegar no limite todos os dias e agradecer aos deuses por eles renovarem seu estoque de paciência por mais 24 horas.
Se você assim como eu, optou por ficar em casa para cuidar dos filhos, mesmo que por um tempo determinado, é criticada e te olham estranho. Que saudades do tempo que Amélia podia fazer isso sem ser julgada, que podia dedicar grande parte do seu dia a cuidar dos filhos e garantir a eles um cuidado e educação que só uma mãe é capaz de transmitir. 
Se você optou ou precisou voltar ao batente e teve que deixar seu baby na creche ou com outro cuidador, também é criticada e também é julgada. "Como assim, já vai deixar seu filho com 4 meses na creche?". Cobranças de uma sociedade que acha que mulher deve ser tudo ao mesmo tempo, mulher-mãe-esposa-chefe de família. 
Independente do caminho a ser trilhado seja trabalhando em casa ou fora, esse lado B vai te assombrar sim!
No início você vai abrir mão totalmente de cuidar de si para poder voltar toda sua atenção para aquele pacotinho recém chegado ao mundo, afinal nesse início essas duas vidas se misturam, você e o bebê são uma coisa só. Isso é normal, isso é instinto, isso é ser mãe. Aí chegam as visitas, te vêem com aquela cara de quem foi atropelada por uma manada de elefantes e te avaliam dos pés a cabeça, literalmente. Sim minha cara mamãe, porque a última coisa que você vai pensar em fazer é ir no salão dar uma geral em si mesma, porque tudo o que você quer é dormir, comer, dormir, arrumar as coisas do bebê, dormir, arrumar a casa, dormir e por aí vai. 
Passaram uns meses, depois de alguns surtos de tantos conselhos que você já ouviu e não pediu, vamos deixar claro, de tantas insinuações de todos os cantos do planeta de que você precisa pensar em você, de tanta intromissão na sua intimidade, sim porque no pós maternidade privacidade é uma palavra inexistente, você resolve aos poucos dar pequenas saídas sem o filhote, resolve que vai lhe conceder algumas horinhas no dia/semana para cuidar de si.
Eita que nosso coração de mãe aperta cada vez que saímos sem o bebê, mas enfim, você sai e começa a descobrir que existe vida após o puerpério. Só que qual é a primeira coisa que te dizem quando você chega no salão para retocar a raiz que a essas alturas já está com uns 5 dedos de comprimento "E tu teve coragem de sair sem teu filho? Mas a babá é de confiança né? Porque não trouxe ele junto, cuidava dele pra ti". Lembra do estoque de paciência que se renova a cada 24 horas? Nesse momento ele deve estar em 50% e reze para que ele dure o resto do dia. 
Se ele não durar, saiba que é permitido às mães terem surtos às vezes, porém isso é algo que não nos contam, e só depois que a gente enlouquece é que descobre isso. Daí todo mundo diz "A querida, não te preocupa que isso passa, comigo também foi assim" "Mas porque tu não me chamou que te ajudava" "Quer que eu fique um pouco com o fulaninho para tu descansares?". Oi??? De onde surgiram tantas boas samaritanas? 
Vamos falar agora do casal, sim isso na verdade merecia um texto só para esse quesito. Resumindo: é fato! A vida do casal é deixada de lado sim, quer você queira ou não. Aquela imagem do casal passeando de mãos dadas enquanto os filhos correm felizes com os cachorros pelo parque eu desconheço, pelo menos no momento. Homens, na sua maioria, demoram a associar a maternidade tal como ela é, tal como a mulher precisa que ele associe. São raros, mas muito raros mesmo os homens que pegam junto desde o início e dão um help para as estafadas mamães. Para eles a paternidade é algo que vai surgindo ao passo que o filho vai crescendo. É uma sementinha a ser regada diariamente, com sorrisos banguelas e balbuciadas. Quanto mais o bebê vai se desenvolvendo, mais aquele homem vai se tornando pai e enquanto isso não acontece, a mãe surta. 
Claro, porque eles seguem a vida deles numa boa, vão para a academia (nossa que raiva dessa  bendita academia), fazem happy hour com os amigos, saem para ir ao shopping "É rapidinho, só vou ali ver um terno e já volto", como se comprar um terno fosse tão rápido como comprar um jornal na esquina. Ao mesmo tempo, você é cobrada a continuar a ser a esposa que era com um acréscimo de função: mãe. Não a toa, vários casais se separam depois da chegada dos filhos. Associar essa nova formação de identidade e essa nova estrutura familiar assusta e exige muita dedicação.
O que quero dizer com tudo isso, e olha que nem disse a metade, é que sua vida vai mudar e muito! Parece clichê né, mas é bem assim. Sabe aquele sentimento de culpa que falei lá no início? Pois é, ele vai te acompanhar, pelo menos por um tempo, porque agora você é mãe e isso faz parte. Mas calma, com o tempo você aprende a administrar e conviver melhor com esses sentimentos e sensações oriundos dessa vida pós maternidade. Aprende a ignorar coisas/pessoas que não te agregam valor em nada. Aprende a se fazer de surda e a engolir muitos sapos, ok as vezes é um brejo inteiro, tudo pelo bem da sua mais nova razão de viver. Ou então aprende que ao invés de engolir sapos o melhor mesmo é botar para fora tudo aquilo que te sufoca. Você vai ir do inferno ao paraíso muitas vezes, vai se ver cansada, estressada, exausta, por vezes vai achar que não vai dar conta de tudo e vai se perguntar: onde está o colorido da maternidade? Está bem ali, dormindo no berço e agradecendo a mamãe maravilhosa que tem!

Um comentário:

  1. Gostei do texto, ainda não sou mãe, mas é sempre bom saber mais sobre esse lado B da maternidade que infelizmente poucas tem coragem para admitir. Bjus

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