terça-feira, 9 de setembro de 2014

Crônicas de uma mãe: a barriga

Desde que se descobre grávida, muita coisa gira em torno da barriga da mulher, e quando digo isso me refiro ao físico mesmo. É só dizer que estamos grávidas, e qual é a primeira coisa que as pessoas fazem? Olham para a barriga.
E geralmente esses olhares vêm acompanhados de comentários do tipo "Que amor, já estás até com barriguinha" ou "Ah! Mas nem tem barriga ainda".
Pouco meses passam, e quem não sabe que naquele ventre está sendo gerado o mais belo dos milagres da vida pensa "Nossa que barriga, porque será que essa mulher não se cuida?" ou "Devia malhar. Porque não fecha a boca?" ou ainda  "Olha o marido ali todo sarado andando com uma mulher gordinha, depois não sabem porque eles as trocam por outra", tudo isso porque no começo não parecemos estar grávidas e sim gordinhas. Enquanto a barriga não atinge aquela forma redondinha e bonitinha, parecemos tudo, menos grávidas. 
Mais alguns meses passam, agora sim temos uma barriga que não deixa nenhuma dúvida de que realmente estamos grávidas e os comentários seguem "Nossa! Tens certeza que tem só um aí dentro?", "Ai a minha barriga não estava tão grande assim com 5 meses como a tua", "Oin que barriguinha bonitinha, tão pequenininha". Daí na reta final da gestação quando achamos que vamos explodir a qualquer momento "Ah! Vai ser por agora, tua barriga já está baixa" ou então " Mas tua barriga tá tão alta ainda". 
Alta ou baixa, chega o dia D. O bebezinho nasce, passam-se umas duas semanas e as visitas estão a todo vapor na casa do recém nascido. Qual a primeira coisa que fazem ao verem a mamãe? Uma chance! Sim! Olham pra barriga!!! Comentários: "Nossa!!! Já perdeu toda barriga!!" ou "Ai amiga, não te preocupa que com o tempo essa barriguinha some" ou ainda aquele comentário nada bem-vindo e muito menos solicitado daquela amiga que fez parto normal sabendo que você fez cesária "A minha barriga sumiu rapidinho, tudo gracas ao parto natural. Cesária sempre demora muito mais pra voltar como era antes". Nem preciso dizer como temos que respirar fundo nessas horas e não matar a "amiga". 
Passado um ou dois meses, a mamãe resolve sair para passear. Cenário um: ela sai com o bebê. O povo vê o bebê, e pá! Olha para a barriga. Analisa para ver se o tamanho condiz com o tamanho do bebê, sim porque se ele for bem recém nascido tudo bem, a mulher ainda está no puerpério, totalmente compreensível. Agora minha gente, se o bebê já tem uns 6 meses ou mais o povo é maldoso. Comentários que o povaredo pensa mas não fala "Quantos quilos será que ela engordou na gestação para ainda estar com essa barriga?" ou "Nossa não deve ser o primeiro filho, se não, não estaria desse jeito" ou ainda "Na minha época eu já saía do hospital usando cinta, por isso que tenho essa cinturinha". 
Cenário dois: esse é brabo. Ela sai sem o bebê. Mesmos comentários do tempo que a barriga não parecia barriga de grávida acrescido o fato de agora ela estar molenga, flácida e em alguns casos, com estrias. E pra piorar a bendita parece ter vida própria, ou ela ou a blusa, porque a primeira desce e a segunda sobe. É um tal de caminha e ajeita tudo o tempo todo. As calças de antes ainda não fecham completamente e as calças de gestante ficam largas! E viver só de legging não dá né?!
O tempo passa bastante e o baby completou um aninho. Festa de aniversário, amigos e família reunidos. Entre um salgadinho e outro, os convidados olham para a mamãe que está lá toda produzida, fez cabelo, pé, mão, maquiagem, roupa novinha e para onde olham? Aham! Para a barriga! Deusulivre essa coitada estar com vestígio de barriga a essas alturas do campeonato. Pode até estar sem salto e raiz do cabelo em dia, mas a barriga, essa não pode estar presente. 
O negócio é o seguinte: mulher sofre, mãe então aff, mais ainda! Parabéns às mamães fitness, eu estou longe, mas bem longe de ser uma! Parabéns também as mamães não fitness, eu as compreendo totalmente. O que quero dizer com isso? Que todas mamães estão de parabéns, com ou sem barriga, porque ter gerado um serzinho tão especial dentro de si por longos nove meses é a mágica mais perfeita da natureza. E viva a barriga!!!  

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