quinta-feira, 18 de setembro de 2014

A separação e as crianças

É fato que o número de separações e divórcios vem crescendo e o assunto ganhando cada vez mais espaço para discussão (ainda bem). As crianças estão mais habituadas a conviverem com a separação conjugal, seja na família extensa, ou nas famílias dos amigos. Apesar disso, elas também sentem as conseqüências e impactos desse processo.
A questão é que a separação é um período de mudanças intensas, tanto para as crianças, quanto para os adultos, podendo ser positivas ou negativas. O que vai influenciar na reação das crianças é a maneira com que os pais conduzem a separação.
A dissolução de um casamento é sim um assunto delicado e poderá vir acompanhado de dor, sofrimento e mágoas. Mas, isso não significa que esse será um momento conturbado ou traumático.
Para que os impactos sejam menos nocivos às crianças, os pais precisam explicar de forma clara e honesta o que está acontecendo, sempre lembrando de utilizar a linguagem adequada à compreensão e idade de cada filho. Explicar não significa expor todos os motivos e detalhes às crianças, mas sim tornar clara a situação, oferecendo um ambiente acolhedor às suas dúvidas e sentimentos. Significa auxiliá-la a entender quais são as mudanças que irão acontecer, esclarecendo que ninguém tem culpa disso, muito menos os filhos, e que apenas o casal se separou, mas que ambos continuarão sendo seus pais e amando-os da mesma forma.
Outro aspecto importante é poder validar os sentimentos dos filhos e quando estes reconhecem sua tristeza. Se seu filho o ver triste, ou chorando, e questionar se você está mesmo triste, não minta! A percepção dele é muito importante e isso é educação emocional. Você estará apenas afirmando sua capacidade perceptiva e fazendo com que ele aprenda a reconhecer as emoções. Converse com ele e explique que você está triste e que em breve passará, mas que você o ama e que estarão juntos para enfrentar os momentos difíceis.
Os pais têm a tarefa árdua de tentar conduzir o processo da melhor maneira possível. Isso significa ser claro e sincero com as crianças, mantendo-as afastadas de brigas e discussões. Após a decisão tomada e a nova configuração estar sendo vivida, é importante que os pais evitem colocar os filhos no “meio de campo”. As crianças não devem e não precisam ocupar o espaço de informantes, tampouco serem usados como motivos de chantagem e forma de atingir o antigo parceiro. Nos processos de separação mais conturbados, é comum que o cônjuge mais magoado acabe ofendendo e falando mal do antigo companheiro (a) para os filhos. Porém, essa situação acaba prejudicando ainda mais a compreensão da criança, podendo causar conflitos importantes para um psiquismo ainda em formação.
Em função de não estarem preparadas emocionalmente para lidar com essa nova configuração, as crianças podem apresentar dificuldades em expressar aquilo que sentem e, muitas vezes, acabem expressando isso em forma de sintomas físicos, como doenças, queda no desempenho escolar, aumento ou perda de peso, dificuldade no sono, isolamento e retraimento social, entre outras dificuldades. É importante que os pais estejam atentos para os comportamentos dos filhos e que, quando for necessário, procurem o auxílio de um profissional que possa dar um suporte emocional às crianças e orientações aos adultos.
Lembrem-se: as crianças não possuem recursos emocionais suficientes para lidar com isso e vão precisar do seu apoio e maturidade emocional para lidar com esse novo contexto. O casal conjugal pode se separar, mas o casal parental seguirá para sempre como pai e mãe desses pequenos e, sem dúvidas, precisa se comunicar na educação e orientação das crianças! 

Marina Barcellos Barbosa – Psicóloga, formada pela PUCRS, especializanda em Terapia de Família, pelo Instituto da Família de Porto Alegre. Atua como psicoterapeuta clínica e colaboradora de pesquisa com famílias. Contato mbbarbosa89@gmail.com

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