quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Ah o sorriso

Meus amores,
Quis Papai do Céu que vocês viessem antes da hora.
Nossa que susto que eu levei, depois de longas três semanas de um absoluto e interminável repouso, convicta de que conseguiria segurar vocês pertinho de mim por mais uns dias, era
chegado o momento de ver com os olhos aquelas bebês que eu já conhecia com o coração, um
coração repleto de amor que só uma mãe é capaz de ter.
Muitos eram os planos na minha cabeça para o exato momento em que as veria pela primeira vez, mas absolutamente nenhum deles aconteceu.
Foi tudo muito rápido, minha pequena grande menina, lembro de te trazerem para te ver e te dei um beijinho. Logo te levaram. Um minuto depois, nasceste tu minha florzinha, pequenina e delicada. Mais um rápido beijinho e te levaram ao encontro da mana na outra sala. Mamãe queria tanto ter ficado esses primeiros momentos com vocês, em tão poucos minutos minhas bebês já haviam sentido o toque de tantas outras mãos que não as minhas.
Não vi pesarem vocês pela primeira vez, tão pouco estar do lado enquanto as mediam. Não pude ser eu a limpá-las e ir colocando em prática toda aquela psicologia que tanto trabalhei com as outras criancinhas que por mim passaram. Sei que estavam sendo bem cuidadas, mas amor de mãe não se substitui. O primeiro colinho, também não foi o meu. Não pude segurar a mãozinha de vocês e nem explicar o que estava acontecendo enquanto as colocavam na encubadora. Não vi a primeira mamada, o primeiro abrir de olhos, a primeira vacina, o primeiro suspirar. Não troquei a primeira fralda, nem as embalei no meu colo para o primeiro soninho da vida de vocês. Não acompanhei os primeiros exames, não estava do lado quando colocaram a sonda e a borboletinha naquelas mãozinhas tão pequenininhas. Não escolhi a primeira roupinha que colocariam em vocês, já que as que tinha separado antes de nascerem era grandes demais, e não pude vesti-las também pela primeira vez. Não estava presente quando vocês saíram da encubadora e foram para o bercinho. Não pude ver a primeira mamada que receberam com o leite que a mamãe com tanto esforço tirou. Não vi vocês chuparem o bico pela primeira vez, nem o primeiro banho de gato. Não estava presente quando o coto umbilical, aquele último vestígio de que um dia nós três estivemos unidas, caiu. Infelizmente ser mãe de prematuro é isso, é não poder viver tantas primeiras vezes, as primeiras mais importantes de toda uma vida.
Muitas primeiras vezes eu perdi, por mais que praticamente tivesse abandonado o mundo aqui fora e vivesse em uma bolha, onde só o que me importava era vocês. Nunca pensei que felicidade tivesse peso, mas descobri que tem, e a minha era medida em gramas todas as manhãs durante longos 17 dias.
Chegou o momento de poder levá-las para casa, para o cantinho que com tanto carinho eu havia preparado e cuidado minuciosamente. E que emoção tê-las para sempre em meus braços! Agora sim, poderia presenciar tantas primeiras vezes, como o primeiro sorriso, sim aquele intencional, não o sorriso reflexo de um bebezinho recém nascido, mas o sorriso de um filho para uma mãe. E esses meus amores eu vi, e ele foi todo meu!

Com todo amor do mundo,

Mamãe.

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